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Andy & Lukas

22/05/2009

 

Acho que eu tinha uns 14 anos quando assisti o primeiro filme pornô, era um pornô hetero, meu irmão estava muito quietinho e fui ver o que estava acontecendo. Aquela imagem preenchendo toda a tela, o pênis do ator era enorme, acho que foi o primeiro em estado erétil que vi, depois do meu obviamente. Foi amor a primeira vista! Até descobrir que sou gay aos 16 anos, ver esses filmes pornôs heteros era a minha diversão favorita.

 

Já ciente sobre a minha homossexualidade, internet começando a acontecer no mundo, eu descobri o pornô gay. Os primeiros filmes eram da produtora “Bel Ami”, que até hoje é a minha favorita. As cenas eram perfeitas, a maioria dos cenários eram “outdoors”, mas Lukas foi o motivo do pornô ter se tornado algo sério na minha vida. Seus olhos azuis, seus lábios, seus cabelos morenos, o corpo, o pênis perfeito (apesar de que prefiro os circuncidados). Lukas Ridgeston era o que havia de melhor, ainda é, não acho que nenhum outro ator tenha superado a beleza dele. Ele poderia facilmente trabalhar em Hollywood, se levarmos em conta apenas sua beleza.

 

Foram anos tendo Lukas como a minha inspiração para aqueles momentos solitários, ele sempre estava lá. Meses após começar um relacionamento sério, fui com esse namorado da época e meu melhor amigo a um sex shop, eu queria comprar alguns filmes com o Lukas, estava cansado de ter que vê-lo pelo computador. Não era novidade pra ninguém que eu amava o mundo de filmes pornô, eu tinha um adesivo na porta do meu quarto com a frase “Expensive Porn Star”. Bom, compramos 3 filmes. Por um bom tempo ele foi o terceiro cara nessa relação. Esse namorado na época não achava muito engraçado as vezes ficarmos juntos com o Lukas passando na TV. Mas o Lukas estava na minha vida há muito mais tempo. Eu não estava pronto pra desligar-lo.

 

Com o tempo, fim de namoro, começo de outro namoro, fim, começo, fim e eu explorando mais as possibilidades sexuais, o Lukas acabou ficando distante. Nunca sumiu, mas eu já não assistia seus filmes. Mais mudanças, amadurecimento, o buraco no meio da estrada (aquele do primeiro post). Acabei vindo parar em Londres.

Tudo novo. Possibilidades, mais descobertas. Quando cai na real, eu já era Andy O´Neill, meu website no ar, as coisas estavam acontecendo rápido. Um dia recebi um e-mail do meu agente nos EUA, me perguntando se eu toparia fazer parte do casting de porn stars no “Hustlaball”, que é uma festa dedicada ao mundo do pornô gay. Bem popular nos EUA, mas seria a primeira em Londres. Obvio que topei, eu já sabia que o Lukas seria uma das estrelas da festa. Três dias depois eles publicaram a minha foto na lista dos atores que participariam da festa. Eu estava do lado dele. Nesse dia eu nem consegui dormir direito, super bobo, eram apenas duas fotos, uma do lado da outra. Eu e o Lukas.

 

Dois dias antes da festa, acordei com conjuntivite. Foi horrível, fiquei desesperado. Mas eu estava tão feliz de saber que ia poder ver ele de perto que tentei esquecer. Na sexta-feira a noite, o agente ligou me informando que o Lukas estaria autografando DVD´s no dia seguinte. Acordei naquele sábado com muita raiva, porque a conjuntivite não tinha passado, só estava um pouco melhor. Como eu iria encontrar o Lukas assim? Eu não queria passar conjuntivite pra ele. Coloquei meus óculos de grau, com o meu DVD preferido dele na bolsa, “Lukas in Love”, segui para o sex shop. Eu estava super nervoso. Entrei. Ele estava na ultima sala da loja. Foi surreal, foi estranho ver ele ali. Mais lindo do que nunca. Como havia uma fila de fãs, eu fiquei com o nosso agente, disse que ia esperar todo mundo ir embora pra ir falar com ele. O agente disse que não, que a imprensa estava lá e eu tinha que aproveitar esse momento. Ele então parou a fila e me apresentou ao Lukas. “Lukas esse é o Andy, Andy esse é o Lukas”. Eu não sei onde encontrei forças pra ficar de pé. Ele apertou minha mão com força, pegou o DVD pra assinar, eu disse meu nome de verdade. Ele não entendeu, pediu pra eu escrever num papel. Depois me puxou pra tirarmos fotos juntos, ficamos alguns minutos abraçados. Porque todo mundo começou a tirar fotos. Aqueles minutos pareceram uma eternidade.

 

A noite nos encontramos na festa. Ele me cumprimentou de novo, novamente com um aperto de mão. E fomos todos para o camarim. Lá pude ver o Lukas de verdade. Além de ser um pouco tímido, ele é absurdamente doce, humilde, não teve ataque de estrela em nenhum momento, super simpático com todo mundo. Toda vez que alguém vinha pedir autografo, pedir uma foto, ele levantava, não fazia cara feia, como outros atores que também estavam lá. O olhar curioso, é o mais lindo nele. Apesar dos trinta e poucos anos e de já ter se aposentado da frente das câmeras (hoje ele é diretor na Bel Ami) ele é um meninão. O mais lindo de todos. Hoje o amor platônico passou, mas a minha admiração por ele com certeza será pra sempre.

 


Escrito por Andy O´Neill às 04h44 Comentários Envie

Flesh and boner

20/05/2009

 

 

TV de Plasma, iPod, iPhone, câmera digital de 20 mega pixels, carro não poluente, internet de fibra ótica. O homem trilhou um longo caminho criando soluções pra facilitar nossas vidas, na verdade atualmente criando necessidades que não tínhamos há 2 anos atrás. Precisamos carregar a bateria, fazer downloads, updates, uploads, reciclar, começar tudo de novo. Resumindo, vivemos numa era que o nosso único esforço é trabalhar pra comprar tudo isso e manter toda essa parafernália funcionando.

 

As mulheres há anos tem quatrocentas opções de vibradores, são cores diferentes, formatos de coelho, cachorro, passarinho, gatinho, lobo mal, golfinho feliz! Se eu fosse mulher, seria confuso demais descobrir se o meu estilo é o vibrador do cachorrinho do campo ou coelhinho azul!? Um dia um senhor de meia idade teve a brilhante e porque não obvia idéia de criar um brinquedo sexual especialmente para os homens, porem simples, sem uso de bateria, fácil de limpar, fácil de usar, fácil de gozar! Foram meses testando, ele testava os protótipos com a esposa do lado, ele realmente estava disposto a conseguir a melhor sensação possível. Até que um dia ele não precisava mais da mulher por perto, foi quando o produto estava pronto para o mercado. Nascia o Fleshjack!

 

O meu primeiro contato com o produto, foi aos poucos. No começo, quando eu via as fotos, eu achava ridículo, como alguém teria a coragem de colocar seu “membro” dentro de um copo de plástico de borracha. Algumas semanas antes de viajar pra filmar com um dos meus modelos favoritos, o Matt B, eu comecei a pesquisar mais sobre o que esse modelo já havia feito e uma das minhas cenas favoritas, ele está sozinho com o Fleshjack. Ele estava se divertindo demais, a cena toda é incrível, foi quando comecei a desconfiar que tinha algo bacana nesse tal brinquedo.

 

Meses depois fui convidado pra estrelar um filme “Boys with Toys” (lançamento em Julho) do estúdio FreshSX, a história gira em torno desse garoto que tem uma baú de brinquedos sexuais e convida seus amigos pra brincar! Eu adoro brinquedos sexuais, então obvio que aceitei. Os primeiros brinquedos foram dildos, dildos duplos, bolas de exercício (pior brinquedo sexual da história!) e o então Fleshjack. Antes de começarmos a filmar tínhamos que brincar um pouco, pra nos sentirmos a vontade com os brinquedos. O meu Fleshjack era transparente, com a “entrada” em formato de lábios, eu achei bem legal, não era tão ridículo assim de perto. Um brinquedo que não precisa de pilha, mas precisa de lubrificante, bastante lubrificante. Brinquedo lubrificado, hora de brincar!

 

A primeira bombada num Fleshjack não se esquece jamais! Foi muito estranho, MESMO! Não é novidade, só assistir meus filmes pra constatar que minha preferência é ser passivo, logo estar curtindo um brinquedo que não explorasse isso, foi estranho demais e eu estava adorando. É realmente incrível, a sensação é tipo umas cócegas, misturado com uma massagem intensa, além de que a vantagem do transparente é você poder ver o teu “amigo” entrando e saindo, as entranhas do Fleshjack se abrindo a cada bombada. Eu só posso dizer que o único problema é que você talvez chegue ao orgasmo rápido demais, então vá com calma, além do que é um brinquedo totalmente lavou ta novo!

 

Em tempos em que exploramos tantas novas necessidades, o meu “amor” pelo Fleshjack é pelo simples motivo dele explorar uma necessidade básica. Tenho inveja dos adolescentes de agora, me imagino há alguns anos atrás, sozinho, folheando a G do Mateus Carrieri e um Fleshjack na outra mão. Dedos, por que tê-los?

 


Escrito por Andy O´Neill às 05h37 Comentários Envie

Gente Grande

18/05/2009

Vir para Londres foi desde o começo uma maneira que encontrei para amadurecer, crescer longe de casa, virar gente grande! Eu sempre fui super protegido. Tive a melhor mãe do mundo e essa foi a maneira dela de nós manter por algum tempo longe da realidade da vida. No Brasil eu era bem dependente em quase todos os sentidos. Chega uma hora que isso, por mais confortável que seja, começa a incomodar. Londres foi a minha chance de arriscar. Na época vários amigos estavam morando aqui e foram eles que me ajudaram a dar os primeiros passos, antes mesmo de pisar aqui, eu já tinha um lugar pra morar e um emprego.

 

No começo, eu dividi um apartamento de dois quartos com uma amiga de uma amiga. Era bem pequeno, mas eu nunca tinha sido tão feliz. O primeiro emprego era de bartender num piano bar de frente para uma das maiores baladas gays de Londres, a Heaven. Tudo fazia parte do mesmo grupo, dois clubes gays e um piano bar. Eu estava absurdamente excitado com tudo isso. Apesar de que era cansativo, alguns dias eu chegava a trabalhar 15 horas por dia. Voltava as vezes as cinco da manhã, mas voltava feliz, nunca tinha me sentido tão livre.

 

Sempre gostei de namorar, de estar envolvido com alguem e a carência aqui é ainda mais forte. Criei um perfil num site de relacionamentos, o maior do Reino Unido. Foi uma forma de começar a descobrir outras nacionalidades. É engraçado perceber que ser humano não é igual coisa nenhuma, um francês tem uma pegada completamente diferente de um alemão, são mais carinhosos, tem paixão, os ingleses tiram a roupa toda antes de irem pra cama, os italianos querem casar depois do primeiro encontro, os sul-africanos são tão bonitos que as vezes perdem a graça, o espanhóis tem energia de sobra. Mas foi um menino da Jordânia que ia abalar o meu mundo.

 

Começamos trocando mensagens, logo marcamos o primeiro encontro. Foi numa estação de metrô perto da minha casa. Por coincidência, ele havia se mudando há algumas semanas daquela área. Fomos para um bar gay, conversamos durante horas. Então ele me pediu um beijo. O jeito dele, educado, carinhoso e super tímido realmente mexeram comigo. Decidimos que queríamos descobrir mais um sobre o outro, então fizemos o trato de esperarmos alguns dias pra ir pra cama. Passamos aquele dia todo juntos, Londres foi o cenário. A cidade era a mesma, mas tudo parecia mais bonito e vivo com ele do meu lado. No final da noite ele pediu pra dormirmos juntos. Eu disse que isso quebraria nosso trato, ele disse que não, era só pra dormir. E naquela noite só dormimos mesmo.

 

Depois de algumas semanas já estávamos tão próximos, tão acostumados em estar perto, que ficar longe dele no trabalho era um drama. Eu lembro de ter que fugir para o banheiro pra chorar de saudades. Fazíamos de tudo pra passar o maior tempo possível juntos. Um dia ele me pediu pra dar as chaves do meu apartamento, porque ele queria me esperar depois do trabalho. Eram quatro da manhã, eu estava super cansado. Mas estava ansioso pra revê-lo. Liguei pra ele descer pra abrir a porta principal. Quando nos abraçamos, foi como se estivéssemos meses longe um do outro. Ele tinha lagrimas nos olhos, eu também. Até hoje não entendo porque aquele momento foi tão especial pra nós. Mas foi nesse momento, nos braços dele, com ele me perguntando como tinha sido meu dia, que eu senti que tinha virado gente grande. Aquele momento foi a chave pra me dar coragem para todos os outros desafios que viriam pela frente.

 

Nós ficamos juntos por dois meses, houve um motivo para nos separarmos, mas não acho que cabe falar sobre isso aqui, porque envolve a vida pessoal dele. Mas nos dois meses que ficamos juntos ele acrescentou mais na vida como nenhum outro homem foi capaz e só por isso vou ser pra sempre grato.

 


Escrito por Andy O´Neill às 05h13 Comentários Envie


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