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Q&A

15/05/2009

 

Obrigado pelos comentários que tenho recebido nos posts, fico feliz que o meu objetivo de desmistificar um pouquinho a idéia que a maioria das pessoas tem sobre o mundo dos filmes adultos esteja sendo atingido.

 

Aproveito o post de hoje para responder algumas perguntas, fiquem a vontade pra fazerem as suas também, o meu e-mail é contact@andyoneill.co.uk

Sempre que possível prometo responder por aqui mesmo, porque a curiosidade de um com certeza pode ser a curiosidade de muitos.

 

Perguntas do Dick

 

1 - É possível assistir a uma filmagem de um filme pornô?

 

Eu nunca trabalhei para um estúdio que isso seja possível. Normalmente os sets de filmagens são super limitados a duas ou três pessoas somando os atores em cena. O único estúdio que haviam mais de quinze pessoas da produção em volta foi pra Titan. Mesmo assim só pessoal envolvido com o estúdio. Quando filmei pra UK Naked Men, o cenário foi alugado de uma senhora, e ela queria ficar no set. Eu pedi ao diretor que gentilmente a tirasse de lá. Set de filmagem não é playground, ainda mais de senhoras taradas de meia-idade!

 

2 - Da para transar com um ou mais atores em um filme sem sentir prazer algum?

 

Claro! Quando me contam que o ator que vou filmar também prefere ser passivo, mas vai fazer ativo por sei lá qual razão, eu tomo uns trinta Viagras! (Brincadeira! Sempre tomamos apenas meio Viagra). Tanto na minha vida pessoal como em set de filmagem para me broxar é só me contar que o meu “parceiro” acha bacana ser passivo. Obvio que não tenho nada contra passivos, mas na minha cama eu prefiro os totalmente ativos, aquele que você não pode nem assoprar perto do bumbum dele.

 

3 - É verdade que alguns atores pornôs fazem michê?

 

80% fazem sim, é quase impossível não fazerem. Os cachês são muito mais altos do que para um garoto de programa normal. O “cliente” normalmente não vê o ator pornô como um simples michê, vê como um ídolo que ele pode ter na cama pois está pagando e caro por isso.

 

4 - Que lugares atores pornôs freqüentam? (Nunca consegui ver um ao vivo e em cores)

 

Qualquer tipo de lugar. Ator pornô também é gente! (rs)

Quando eu morava no Brasil vivia no Vegas, no Glória ou em alguma sala de cinema, sou obcecado por cinema. A minha formação “pornô” se deve há alguns anos freqüentando o RG31 e a Sauna 269 (que na minha opinião é uma das melhores saunas do mundo, a minha preferida é a Sun City em Paris, o lugar é incrível e os moços lindos, as piores estão em Las Vegas, são sujas, velhas e os moços bem estranhos.

 

5 - Como e o relacionamento de um ator pornô com sua família?

 

É tranquilo, simplesmente não falamos sobre isso. Principalmente porque sinto que eles entendem que tudo que estou vivendo aqui é apenas uma aventura e que logo volto pra minha vida normal em São Paulo.

 

6 - Sexo com um ator pornô e melhor e mais interessante do que com um cara comum ou atores pornôs também tem tabus e restrições?

 

Olha, não necessariamente viu. Eu conheço um casal, um é psicólogo, o outro arquiteto e eles dão de dez a zero em muitos atores que contracenei! Acho que ser bom de cama não tem relação nenhuma com a profissão da pessoa. 

 

Perguntas do Rogério

 

1 - A gente acha alguma atuação sua fora da net (tipo DVD, mesmo)?

 

Eu tento o possível para estar sempre atualizando o meu website (www.andyoneill.co.uk), mas é complicado porque eu sou responsável pelo layout, então tenho que parar tudo aqui, fazer as alterações e enviar para o Brasil. Atualmente a forma mais rápida que encontrei de atualizar minha filmografia é através desse link: http://pornstarrd.com/pornstars/1245-andy-oneill

 

2 - A grana tava no envelope do old Boy, né?

 

Sim :P

 


Escrito por Andy O´Neill às 06h04 Comentários Envie

Boys

13/05/2009

Prostituição não é um tema leve, nem fácil de argumentar. Normalmente quando esse é o assunto, muitos tem aquela imagem de um hotel no centrão, um quarto velho, sujo, com as luzes no teto falhando, um ventilador quebrado perto da janela, notas de dinheiro amassadas no criado mudo e uma gilete na carteira. Num filme de Gus Van Sant isso até funciona, mas na vida real isso está distante demais. Não estou aqui fazendo apologia a prostituição, nem dizendo que é uma profissão super bacana e que as pessoas deveriam “tentar em casa”. É um caminho difícil, acho que principalmente porque depende da cabeça de cada um pra conseguir separar as coisas, saber separar o corpo da mente, acho que mais importante ainda é curtir sexo mais do que a maioria das pessoas, mas curtir mesmo!

 

No mundo do pornô prostituição é mais comum que cena de ejaculação no final da cena. São poucos, bem poucos mesmo, os atores que uma vez outra não aceitam propostas pra fazer “trabalhos” assim. Os motivos são óbvios, o cachê normalmente é muito maior do que é pago pra um garoto que não tem envolvimento com pornô e de certa forma o ator já está no meio do caminho. Industria do sexo não envolve apenas fazer filme. Outra curiosidade comum é sobre os clientes, se eles tem 80 anos, 230 quilos, orelhas de lobisomem e tentáculos no lugar do genitais. Não, eles não são assim, mas também não são nenhum Richard Gere.

 

A minha primeira experiência com um garoto de programa foi alguns anos antes de vir pra Londres, encontrei ele numa sala de bate-papo. Eu carreguei essa vontade durante anos, os meus amigos heterossexuais vão em puteiros quase todos finais de semana, em feriados, no Natal, para eles é como sair pra tomar uma cervejinha com a galera. Isso não existe entre os gays, ok que fazemos quase o mesmo, mas não pagamos pra pra ninguém. Temos as saunas, cruising bars e websites principalmente. Eu acho que no meio GLS, pagar por sexo é como assinar atestado de “sou feio, velho e ninguém me quer”. Isso sempre me irritou, porque obviamente uma coisa não tem nada a ver com a outra, pagar por sexo não é atestado de nada, só de que você está com tesão e quer uma experiência diferente. A minha primeira experiência foi incrível.

 

Já em Londres, era uma terça-feira, 19h44 da noite. Recebi uma mensagem, num desses sites de relacionamento. “HOW MUCH TO SPANK YOUR ASS OVER MY KNEE?” (Quanto pra te dar umas palmadas sob meus joelhos?). Eu até aquele momento só havia ouvido falar do tal do “spanking”, não tinha certeza, sabia que era algo relacionado com levar umas palmadas. Eu respondi com um valor absurdo, primeiro porque estava com medo e segundo porque o perfil dele não tinha fotos pessoais. Ele retornou dizendo que topava, umas das frases da mensagem dizia “I LOOK FOR GUYS TO SPANK AND IF YOU AIN 'T BEEN SPANKED YOU MIGHT GET $” (Eu procuro por garotos pra dar umas palmadas e se você ainda não levou umas, você deveria receber por isso). Eu sou um fã obcecado de “Alice nos Pais das Maravilhas” e naquele momento eu queria descobrir até onde ia o buraco do coelho.

 

Eu pedi que ele enviasse um táxi, ele pediu que eu usasse uma cueca jockstrap, aquelas que só cobrem a parte da frente. Cheguei lá quase as 3 da manhã, era o horário que ele estaria livre, porque estava trabalhando. Recebi um torpedo pelo celular dizendo que a porta da rua estava aberta, era só entrar. A rua estava vazia,

prédio antigo, estilo loft. Entrei, mas não consegui achar o interruptor, tentei caminhar com a luz do telefone. Ele estava me esperando no escuro pra me assustar. Eu sei que eu deveria ter voltado naquele momento, mas na minha cabeça era tarde demais. Rindo, ele pediu desculpas pelo susto e para eu não olhar pra cara dele, sempre olhar para o chão. No apartamento, pediu pra eu ficar contra a parede só de cueca, me perguntou se eu topava ser algemado. Eu disse que não. Ele não forçou nada, disse que se esse era meu limite ele iria respeitar. A “brincadeira” começou, ele completamente vestido, de óculos escuros (não tirou uma peça de roupa em nenhum momento) inciou as sessão de palmadas. Não foi engraçado, não era de leve, nem com carinho. Bom, pelo menos eu já sabia que essa seria a primeira e ultima vez que eu aceitaria algo assim. Foram 40 minutos lá dentro, eu comecei a ficar curioso sobre essa pessoa, era um loft grande, com fotos gigantes de modelos famosas, araras e araras de roupas espalhadas pela casa, então perguntei se ele era fotografo. Ele ficou rindo sem responder. O cigarro dele tinha acabado, ele ligou para o mesmo taxista trazer cigarros. Menos de 5 minutos depois ele estava lá, o maluco me pediu para ir buscar, não me deixou nem colocar as calças. Fui buscar um maço de cigarros com uma cueca jockstrap no meio da rua. Voltei, perguntei se eu poderia ir embora com o taxista. Ele respondeu “Claro, você acha que não sou civilizado?”. Me entregou um envelope e deixou eu sair.  

 

No caminho pra casa fui pensando em como tinha tido sorte de ter saído inteiro da casa daquele louco. Já no meu quarto, ia jogar o envelope no lixo, quando li o nome escrito a mão na frente do mesmo: “Boy George”. Eu não teria como reconhece-lo, já que a imagem que eu tinha dele na minha memória era a do começo dos anos 80 e não a atual. Procurando no Google tive a confirmação de que era ele mesmo. Penso que ele só me entregou o envelope com o nome artístico pra tirar com a minha cara. Na mesma hora entrei no MSN pra conversar com a minha melhor amiga que morava em Londres na época, ela me mandou um link sobre um “modelo” que estava processando o Boy George por ter algemado e preso ele no apartamento por horas. Claro que no primeiro momento fiquei apavorado, pensei que poderia ter acontecido o mesmo comigo. Hoje penso, santo ele não é, mas em nenhum momento me senti ameaçado ou obrigado a fazer nada contra a minha vontade. Acho de verdade que talvez ele tenha oferecido as mesmas regras pra esse “modelo”. Algumas pessoas tem os mais estranhos fetiches possíveis, mas acredito que quando alguém é oportunista, uma noite de palmadas pode virar uma noite de cárcere privado pra faturar em cima. O triste é que o Sr. Boy George foi condenado a 15 meses de prisão.

 

Na última segunda-feira, 11 de maio, O Mix Brasil noticiou:

 

O cantor Boy George foi libertado da prisão nesta segunda, 11, depois de cumprir 4 dos 15 meses a que havia sido condenado por ter mantido um garoto de programa preso em sua casa. De acordo com o jornal "Daily Mail", George foi solto por ter apresentado bom comportamento.

 

Para ler ouvindo: Culture Club - Do You Really Want To Hurt Me?

 


Escrito por Andy O´Neill às 06h25 Comentários Envie

( ) Solteiro ( x ) Casado

11/05/2009

Quando era criança, acho que dos 6 aos 10 anos eu tinha essa fantasia de casar, imaginava como seria minha esposa, brincava com as meninas da escola de que estávamos casando. A cerimônia sempre acontecia no recreio, nossos amigos como padrinhos, no final ninguém levava um bem-casado pra casa, era uma Ana Maria de morango mesmo. Aos 12 anos tive a minha primeira namorada, ficamos juntos por 2 anos, era uma namoro quase de brincadeira também, mas as vezes eu achava que ela seria a minha esposa um dia. Em janeiro eu estava no altar do casamento dela, mas como padrinho.

 

Depois que descobri que sou gay esse sonho foi embora. Não porque não acredito na união entre dois homens, muito pelo contrário. Mas porque a fantasia era diferente, não seria a mesma coisa. Quem entraria primeiro? Entramos de terno? Na igreja não pode mesmo. Quem vai abençoar a união? Acho que o sonho foi embora também porque no fundo não precisamos de uma cerimônia ou de um papel pra “sermos” de alguém. (Apesar que acho um atraso absurdo a união civil entre homossexuais ainda não ter sido aprovada no Brasil, ainda mais por morar num lugar onde isso é legal e não assusta mais ninguém).

 

Trabalhando num meio como o pornô, encontrar esse alguém especial é uma tarefa ainda mais complicada, normalmente os casais (e são muitos) dentro da industria, estão juntos há anos, a maioria se conheceu durante uma filmagem, uma premiação, uma festa de aniversário do diretor, um almoço com o produtor, da mesma maneira que casais que não trabalham fazendo pornô se encontram, no ambiente de trabalho. Mas tenho me sentido meio limitado, se um advogado de repente conhece um publicitário na festa do vizinho, não existe nada que os impeça de ficarem juntos, claro que pode existir algo, um gosta de futebol o outro detesta. Mas se um advogado conhece um ator pornô na festa do vizinho, as chances deles se entenderem é quase mínima. “Amor como foi seu dia hoje?” – “Ah tive que fazer duas cenas de DP e um dos atores ejaculou no meu olho sem querer, mas tirando isso foi um dia como os outros”. Digo por experiência própria, é quase impossível dar certo!

 

Porém casamento não é só marido e marido, mulher e mulher ou marido e esposa. Em Setembro do ano passado eu “casei” com uma das minha melhores amigas, parceira mesmo, em quase todos os sentidos da palavra. Já são quase dez anos de amizade, nos conhecemos na faculdade. Ela foi umas das primeiras pessoas que contei que era gay, até hoje brincamos sobre isso, porque ela reagiu como se eu tivesse contado que eu gostava da cor azul e eu não esperava por isso. Ela veio pra Londres alguns meses antes que eu, foi a primeira pessoa que vi quando cheguei aqui, estava no aeroporto me esperando, sem ela eu não teria nem saído de lá! Estava apavorado de medo.

 

Ano passado ela resolveu que era hora de voltar para o Brasil de vez e como despedida resolveu me levar para o Marrocos. Eu detestei a idéia no começo. O que era pra ter sido um pesadelo foi uma das viagens mais incríveis que fiz. E foi o cenário do nosso casamento. Casamento que não teve papel assinado, nem o bem casado no final, nem a Ana Maria! Mas teve a cerimônia, com tudo que se tem direito, eu no altar, esperando que eles entregassem minha esposa numa “bandeja” carregada por quatro senhoras, ela parecia mais uma carro alegórico, mas eu a aceitei mesmo assim. Hoje em dia realmente nos sentimos casados, não moramos juntos, mas dividimos os mesmos ideais, brigamos pelas mesmas causas. De brincadeira carregamos um O no final de nossos nomes, eu sou Andy O e ela Mary O. O casamento pode não ter sido de verdade, mas o nosso carinho é pra sempre com certeza. E até não acharmos “esse cara” de nossas vidas, estamos juntos, um acompanhando o outro nessa estrada.


Escrito por Andy O´Neill às 05h16 Comentários Envie


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